Esc. Escola de Escrita

Autor: Escola de Escrita

  • Uma tarde na Toscana

    Uma tarde na Toscana

    [um conto de Layla Gabriel de Oliveira] Uma tarde na toscana  Layla Gabriel de Oliveira  Quando Roberto se mudou eu arranquei a persiana da sala e deixei sem cortinas. A persiana estava quebrada já fazia não sei quanto tempo e não abria mais, o que deixava a sala permanentemente no escuro. Agora, quando o sol

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  • O Mosquito

    O Mosquito

    [um conto de Maurício de Olinda] O diminuto ponto zanzando no ambiente era o mosquito Quinta-feira, pois caso nascesse amanhã, seria sexta-feira. Este pretinho era um prodígio, autodidata, amadurecido. Como acontece a todos os pequenos gênios, os outros mosquitinhos, com sua mesma idade de minutos, o deixavam solitário, remoendo-se no próprio zunido. Escutava-se e detestava-se,

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  • Narciso

    Narciso

    [um conto de João Pedro Minto Russo] Ninguém sabe de onde ele veio. Era como se sempre tivesse estado ali. Seu domínio era a curva do lago. Não falhava em sua patrulha por um dia sequer. Era altivo e preciso, seus movimentos calculados para o menor desperdício. Assim o chamamos pelo hábito de se admirar

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  • Carla de Contábeis

    Carla de Contábeis

    [um conto de João Klimeck] Eu estava na lanchonete fast-food na esquina de casa quando lembrei de você. De como fazia sempre o mesmo pedido por aqui. Do mesmo pão, de 15 cm que só comia pela metade, até o mesmo molho. Regina, a vida é como um pedido de sanduíche, a gente vai colocando

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  • A noite estrelada

    A noite estrelada

    [um conto de Karina de Souza Barbosa] Já não tenho mais disposição para os assuntos lá de fora. Aqui dentro é calmo, silencioso e posso olhar para a noite, para dentro de mim. Cada vez mais, para dentro de mim. Desta janela, eu consigo ver a vida, mesmo adormecida.   A noite azulada tem o movimento

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  • juneau

    juneau

    [um conto de Marcelo Wilinski] palitou os dentes antes de vestir a carapuça, por muito tempo não poderia mais deixar o rosto à vista. sorte que a tenho, caso contrário não estaria nem aqui, beijar outro homem por dinheiro algum, disse o homem de terno. o homem de vestido, mais despojado, via a arte como

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  • Três fins e dois começos

    Três fins e dois começos

    [um conto de Guilherme Alves]   Antes, pela primeira vez:   Terra e carne têm o mesmo gosto entre os dentes. Ela limpa os lábios com a ponta dos dedos e amar é ter nas mãos. O silêncio da casa carrega o cheiro dele, o primeiro homem e a primeira casa, onde começo e fim

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  • Os trinta de Bellatin

    Os trinta de Bellatin

    [um conto de Daniélle Carazzai] Confesso que já me acostumei e até gosto da companhia. Não sei quanto tempo vai durar. Acabei me afeiçoando a essas carnes tom carmim que me olham, de dentro do pote de vidro, como se quisessem (ainda) me devorar. É uma sensação boa ser desejado. Deve ser por isso que se tem cães.

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  • Sete dias de fúria

    Sete dias de fúria

    [um conto de Paulo Eduardo Gonçalves] quinta-feira Não há esperança para minha literatura. Nas aulas de escrita, as fêmeas secundam umas às outras como amazonas em uma falange, com o firme propósito de não consumir qualquer produto de criação masculina. Exceto, segundo uma delas, o legítimo couro de homem de que é feito suas botas.

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  • De como um evento na Liberdade, em 1964, resultou nos refinados hábitos de um cirurgião de reputação duvidosa

    De como um evento na Liberdade, em 1964, resultou nos refinados hábitos de um cirurgião de reputação duvidosa

    [um conto de Luana de Salles Penteado] Não possuo profundidade. E nem estou sendo autocrítico nessa análise de mim mesmo, posto que a minha falta de profundidade nada mais é do que um fato literal. Um papelzinho – esse sim tridimensional, ainda que de profundidade rasa – contém minha existência absolutamente plana. É claro que

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