Esc. Escola de Escrita

LINE-UP CASA ACASO 2026 (17)

 

de 22 de julho a 26 de julho

FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY | 2026


Era pra ser uma edição única de colecionador, mas deu tão certo que nossos editores encomendaram o próximo título.

A portinha única cresceu e virou duas. Agora, da porta pra fora, também dá pra espiar a nossa programação.

Numa ponta, de Curitiba-PR, a Esc. Escola de Escrita, uma iniciativa fundada pela escritora Julie Fank, há 12 anos, um espaço de formação de escritores e investigação de processos criativos em outras artes.

Na outra ponta, de Natal-RN, a Ocupação Literária, evento literário tocado por Octávio Santiago, um conjunto de ações literárias que ocupa prédios públicos históricos com debates entre expoentes da literatura.

Nossa livraria oficial é a Linguaria, um terceiro braço da Esc. Escola de Escrita voltado para produtos. com o apoio da Arte & Letra, a Linguaria é a responsável pela operação de livros e produtos da Casa Acaso.

É isso, a Casa Acaso está de volta à Flip. E vem daquele jeito que a gente gosta: casa cheia, ideias circulando, lançamentos de livros e conversas que começam na mesa e terminam na calçada.


De 22 a 26 de julho, serão 85 escritores, jornalistas, pesquisadores, artistas e fazedores de cultura ocupando os metros quadrados mais queridos do Centro HIstórico de Paraty.

A programação completa está aqui. A porta está aberta, já pode chegar!

PROGRAMAÇÃO CASA ACASO 2026

COMO FUNCIONA?

 

A curadoria da Casa Acaso é assinada por Julie Fank e Octávio Santiago, que unem a experiência da Esc. Escola de Escrita, de Curitiba (PR), e do projeto Ocupação Literária, de Natal (RN), para construir uma programação que aproxima diferentes territórios da literatura brasileira, reunindo autores de todas as regiões do país e alguns convidados internacionais.

Entre os convidados, estão nomes como José Luís Peixoto, Amara Moira, Ruth Manus, Luci Collin, Ana Claudia Quintana Arantes, Dadá Coelho, Bethânia Pires Amaro, Paulo Henriques Britto e Maria Ribeiro, além de dezenas de escritores, editores, pesquisadores e artistas que ocuparão diariamente a casa.

A edição de 2026 conta ainda com importantes parceiros de divulgação, como a Revista Cult, The Summer Hunter, Revista Odisseu e Salvo Conteúdo, além do patrocínio da Editora Maralto, da Nutry e do Sistema Fecomércio RN.

________________________________________________

SEGUNDA-FEIRA [20/07] | ESQUENTA FLIP

 

19h às 20h

AULA GRATUITA E ON-LINE SOBRE ORIDES FONTELA

[com Luci Collin, Esc. Escola de Escrita] 

Começamos a programação da Casa Acaso falando das palavras de Orides Fontela, autora homenageada desta edição da FLIP.
No dia 20/07, às 19h, teremos uma aula gratuita, on-line e aberta ao público, via Zoom, com a professora Luci Collin. 

 

A participação é mediante inscrição prévia neste link: https://forms.gle/uWJ3etp8XWF4wnpJ7  

 

[os selecionados serão notificados via e-mail/ whatsapp/ redes sociais no dia 19/07]

 

QUARTA-FEIRA [22/07]

14h30 às 17h30

Oficina de Escrita Criativa: esboços, processos e rascunhos 

[com Julie Fank, Esc. Escola de Escrita]

Uma imersão no laboratório da escrita. Trazendo a atmosfera das salas de aula da Esc. Escola de Escrita para o território da FLIP, este formato pocket propõe um olhar anatômico sobre o que vem antes do livro pronto: a rasura, o ensaio e o erro. Durante três horas, os participantes serão convidados a habitar suas próprias anotações e a investigar caminhos para sistematizar o processo criativo a partir de cadernos antigos, rascunhos esquecidos e esboços de novos projetos. A oportunidade de olhar para o rastro já deixado na página e descobrir o lastro que ainda pode virar livro. Ao longo de três horas de práticas e provocações, vamos passear pelas ideias em estado bruto e estruturar os bastidores de novos projetos literários. 

São 20 vagas, a inscrição é gratuita e pode ser feita pelo seguinte link e é via processo seletivo: https://forms.gle/dY45fuAgMq33RdTp8 

[os selecionados serão notificados via e-mail/ whatsapp/ redes sociais no dia 21/07]

18h30 Cantar baixinho para não espantar as ausências

[um pocket show de Ana Larousse]

Em formato pocket, Ana Larousse apresenta um show que combina repertório conhecido, canções inéditas e boas histórias. Entre as novidades, a cantora antecipa, em primeira mão, músicas do disco previsto para 2027 e compartilha os bastidores das composições. O resultado é um espetáculo de proximidade, em que música e palavra dividem o mesmo espaço, convidando o público a entrar no universo da artista sem cerimônia. 

________________________________________________

QUINTA-FEIRA [23/07]

9h30 Nem sempre há perigo na esquina

[Henrique Rodrigues + Carlos Eduardo Pereira]

[mediação: Leo Gaede]

O que acontece do lado de fora sempre encontra um jeito de entrar na literatura. Henrique Rodrigues, autor de obras como Rua do Escritor e O próximo da fila, e Carlos Eduardo Pereira, de Agora Agora e Enquanto os dentes, conversam sobre como a cidade – palco de encontros e conflitos – e a vida cotidiana se transformam em matéria de ficção. Com mediação de Leo Gaede, autor de Um hospício pra chamar de meu, a mesa reflete sobre a relação entre experiência e invenção, mostrando que, muitas vezes, é nas ruas que os livros começam a ser escritos. 

10h30 Uns tais romances desobedientes [REVISTA ODISSEU]

[Vítor Kappel + Breno Botelho + S Ganef]

[mediação: Ewerton Ulisses Cardoso]

Como conseguimos trazer novos ares e novas propostas para um gênero tão consolidado quanto o romance? Para pensar essa questão, convidamos três romancistas estreantes para apresentar seus projetos insubmissos de narrativas longas. S. Ganeff, Breno Botelho e Vítor Kappel contam como superar o medo da escrita e assumir a posição de romancista para escrever com liberdade e, principalmente, ousadia. 

11h30 Quem tem medo do bajubá?  

[Amara Moira]

[mediação: Carla Françoia]

Há quem tema uma língua que nunca fez mal a ninguém. Amara Moira faz de Neca uma trincheira estética, transformando o bajubá em matéria literária. Ao lado da psicanalista Carla Françoia, a autora debate os limites da linguagem, os bastidores da criação e os medos que rondam as palavras que não pedem licença para existir. A partir do universo ficcional de Neca, as autoras discutem a escrita como um gesto de insubmissão e parto: uma forma de dar nome ao que o pacto social tenta calar, provando que a verdadeira literatura acontece justamente onde a língua racha e se reinventa.

12h30 Além das palavras: as raízes de um livro ilustrado [MARALTO EDIÇÕES]

[Johanna Thomé de Souza + Roberta Malta]

[mediação: Vanessa Rodrigues]

O livro ilustrado é um organismo de dupla face, onde a palavra e a imagem dançam no mesmo espaço. Neste encontro, a escritora Roberta Malta e a ilustradora Johanna Thomé de Souza abrem os bastidores da obra Amália para investigar essas múltiplas camadas de leitura. Caminhando entre o texto que evoca e a imagem que inaugura espaços, escritora e ilustradora discutem como a literatura visual se torna um abrigo tátil para o tempo, capaz de traduzir o afeto, a linhagem e as vozes ancestrais que nos habitam antes mesmo de sabermos falar.

 

14h Criatividade depois do colapso da performance [THE SUMMER HUNTER]

[Lela Brandão + João Pedro Paes Leme]

[mediação: Ricardo Moreno]

Quando produzir se torna uma obrigação ininterrupta, a criatividade corre o risco de virar apenas ruído de fundo. O debate joga luz sobre as frestas que sobram entre a pressão estética das telas e o vazio do esgotamento. Em uma conversa que atravessa as redes e as páginas dos livros, os convidados analisam os impactos da economia da atenção na literatura contemporânea, onde o consumo fácil costuma soterrar as obras que pedem do leitor o direito à lentidão. Uma conversa sobre os limites da nossa cabeça e a busca por uma criatividade que resista ao colapso.

15h Sua próxima leitura não será por acaso [SALVO CONTEÚDO] 

[Nastacha de Ávila + Rosario Pozo Gowland]

[mediação: Julie Fank]

A palavra curadoria carrega o peso da escolha e o peso de deixar passar uma pepita que pode escapar ao olhar mais atento. O gesto da costura de uma série de recomendações é o que une a experiência de Nastasha, à frente da plataforma de descobertas Salvo, e Rosario Pozo Gowland, à frente do maior clube de livros da Argentina, Decime un libro, conversam com Julie Fank, curadora da Casa Acaso e diretora da Esc. Escola de Escrita, sobre o gesto de escolha que, ao costurar pontos imprevistos, desenha novas constelações no repertório de quem está pronto para descobrir seu próximo livro ou artista favorito.   

17h30 A máquina não sabe que sabe

[Tatiana Roque + Dora Kaufman]

[mediação: Samysia Almeida]

As acusações contra a inteligência artificial parecem reafirmar o compromisso de quem escreve com a literatura. Mas e quando a própria IA vira matéria-prima para contestar certas pseudoverdades? Sem recorrer à dicotomia entre apocalípticos e entusiastas, Tatiana Roque, vencedora do Jabuti e autora de A máquina e Nós: Promessas e Armadilhas da Inteligência Artificial, e Dora Kaufman, autora de Desmistificando a Inteligência Artificial, desfiam questões éticas e os impactos de seu uso para perguntar, afinal, o que restará – ou sobrará – a nós. 

18h30 Como chorar em português

[José Luís Peixoto]

[mediação: Julie Fank]

Há dores que só encontram abrigo no desenho específico de uma língua. A melancolia, a distância e a própria fratura do tempo ganham uma topografia única quando escritas em português — esse território onde a ausência se torna carne e palavra. Nesta mesa, o escritor português José Luís Peixoto conversa com Julie Fank sobre a gramática do afeto e do luto na literatura contemporânea. Um encontro para investigar como a escrita pode mapear o que nos falta e por que, às vezes, é preciso inventar um idioma inteiro apenas para aprender a desabar.

19h30 Dadaísmo 

[com Dadá Coelho e convidados]

 Um começo pode nos fazer querer abrir a porta inteira e entrar num novo espaço ou, imediatamente, nos fazer trancar a fechadura e partir pra próxima. E, na literatura, é a primeira página que faz as vezes de porta. A atriz, comediante e agitadora literária Dadá Coelho convida o público para um sarau dedicado a essas faíscas que, com o devido combustível, nos levam ao final de um livro. Aberto a quem quiser assistir ou compartilhar seus favoritos, o Dadaísmo celebra as primeiras linhas que nos pegam pela mão e nunca mais nos soltam. 

________________________________________________

 

SEXTA-FEIRA [24/07]

 

9h30 Quem nunca surtou que atire o primeiro livro

[Paula Novais + Ana Assis]

[mediação: Denise Berejuk]

A sanidade é uma ficção muito mal escrita. Entre as obsessões do processo criativo, o isolamento da página e os pequenos colapsos da vida cotidiana, escrever se torna tanto o sintoma quanto o único remédio possível para os nossos desassossegos. Paula Novais e Ana Assis, com mediação de Denise Berejuk, abrem as portas dos bastidores da escrita para falar sobre o transbordamento, o humor involuntário do desespero e os limites da cabeça de quem cria. Uma mesa para rir do abismo e celebrar os livros que nascem justamente quando tudo o mais parece ruir.

10h30 A literatura não cumpre pena

[Fábio Ataíde Alves + Samuel Lourenço Filho + Guiomar Veras de Oliveira]

[mediação: Marion Bach]

Quando a literatura entra no cárcere, ela também abre caminhos para a liberdade. Vencedor do 22º Prêmio Innovare, o projeto Escritores e Escritoras do Cárcere, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, inspira esta mesa, que reúne o magistrado Fábio Ataíde Alves e a servidora Guiomar Veras de Oliveira, que coordenam a iniciativa, e o escritor egresso do sistema penal Samuel Lourenço Filho para refletir sobre como a escrita pode dar outro sentido ao cumprimento da pena. Com mediação da escritora e doutora em Direito Penal Marion Bach, a mesa coloca a literatura diante da Justiça para perguntar o que uma pode oferecer à outra.

11h30 Começar igual não é terminar do mesmo jeito 

[Otávio Leonídio + Maria Ribeiro]

[mediação: Julie Fank]

Começar igual não é terminar do mesmo jeito. Partindo de Os Desaparecidos, seu primeiro livro de ficção, o ensaísta e professor da PUC-Rio Otavio Leonídio conversa com sua irmã Maria Ribeiro sobre os mistérios do ponto de partida. Aqui, a criação se desdobra em dupla vertente: a infância compartilhada e a página em branco. Se os irmãos partem da mesma matriz biológica e afetiva para destinos dissonantes, a escrita se alimenta de escolhas que transformam o solo inicial. Uma mesa sobre os rumos imprevisíveis da criação — onde o começo é um sangue comum, mas o destino cada um escolhe.

12h30 Aquilo que só a ficção se atreve a fazer [REVISTA ODISSEU]

[Samir Mesquita + Gabriel Stroka + Myriam Scotti]

[mediação: Ewerton Ulisses Cardoso]

 Amamos todos os gêneros literários, mas somente a ficção nos proporciona um exercício de alteridade e criação tão profundo. Por meio dela conseguimos experimentar o que é impossível, criando diálogos inimagináveis e personagens que se recusam a obedecer qualquer norma pré-estabelecida. É sobre isso que nos contam os ficcionistas Gabriel Stroka Ceballos, Myriam Scotti e Samir Machado: como encontrar na ficção um espaço de liberdade. 

13h30 E assim se fez… onça: quando o barro também conta [MARALTO EDIÇÕES]

[Marcelo Pimentel]

[mediação: Vanessa Rodrigues]

 Como se molda o corpo de uma história? Marcelo Pimentel compartilha o processo de criação de A onça da mão torta, livro ilustrado que nasce do encontro profundo entre a palavra e a terra. Inspiradas nas tradicionais cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, as imagens que habitam o livro foram moldadas, pintadas e queimadas em argila antes de ganharem as páginas. Um mergulho nos bastidores de uma obra onde o reconto da tradição oral brasileira ganha a textura do barro, provando que contar histórias é também um gesto de esculpir o tempo.

14h30 Nós vamos sorrir

[Carla Françoia + Danichi Hausen Mizoguchi]

[mediação: Daniel Montoya]

 Carla Françoia estreia com Ainda é ontem aqui dentro, romance que cruza a ditadura e a Curitiba atual. Danichi Hausen Mizoguchi traz em Eterna Fantasia o encontro de duas mulheres que veem seus ideais desabar e a força da amizade se revelar vital para a sobrevivência de seus sonhos. Mediada por Daniel Montoya, a mesa pensa como a subjetividade se revela na cartografia de uma cidade e nos corpos que resistem às cidades sitiadas, investigando o colapso das utopias e a resistência do desejo em contextos de crise social. 

15h30 Que regional o quê, cara?

[Cami de Malta + André Santa Rosa + Octávio Santiago]

A prosa de Cami de Malta, autora de Cor de Defunto, e a poesia de André Santa Rosa, de Praia Esgarçada Alegria, parecem desafiar a cartilha que ainda insiste em dizer como deve escrever um autor nordestino. Octávio Santiago, de Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste, livro que investiga justamente os estereótipos e as expectativas lançadas sobre a região e sua gente se junta à conversa. Uma mesa para revisitar as ideias de identidade e pertencimento e mostrar que o regionalismo, esse tratado como obrigação estética, já tem o ar demodé que merece. 

16h30 Memórias e afetos: finitude, a potência do acolhimento e o tempo [THE SUMMER HUNTER]

[Ana Claudia Quintana Arantes + Alcio Cruz]

[mediação: Livia Martins dos Santos]

 Olhar de frente para o fim é, no fundo, aprender a inaugurar o presente. Este encontro é um convite para desacelerar o relógio e habitar o território da presença consciente. Ana Claudia Quintana Arantes e Alcio Cruz, com mediação de Livia Martins dos Santos, investigam o ato de cuidar como uma das formas mais puras de literatura tátil — onde o afeto e a escuta se transformam no legado mais bonito na memória de quem fica. Um encontro poético sobre como a finitude redimensiona os nossos afetos, convidando o público a pensar o legado humano como uma história escrita a quatro mãos, feita de frestas, silêncios compartilhados e amor pleno.

17h30 Levo desaforo pra página: 30 anos de prosa [MARALTO EDIÇÕES]

[Luci Collin]

[mediação: Julie Fank]

Ler Luci Collin é aceitar o convite para um jogo onde as regras mudam a cada parágrafo. Este encontro gira em torno de Acontecidos: contos escolhidos, coletânea que condensa quase três décadas de uma das trajetórias mais inventivas da nossa literatura. A conversa percorre os veios de uma escrita que se recusa a assentar: uma literatura movida pela experimentação radical, pela voltagem do humor e pela capacidade única de implodir e reconstruir as formas narrativas. Uma celebração da palavra em estado de vertigem, ruído e reinvenção.

18h30 A palavra escrita ainda repara alguma coisa? [THE SUMMER HUNTER]

[Cris Bartis + Ruth Manus]

[mediação: Julie Fank]

 Entre cartas guardadas, dilemas íntimos e os sobressaltos da vida adulta, esta mesa propõe a escrita como uma tecnologia da escuta e da reinvenção. A conversa investiga como a literatura dá carne e contorno a tudo aquilo que não cabe em respostas rápidas: o amor, a maternidade, o arrependimento e os desvios do tempo. Num presente que corre contra o relógio, ler e escrever resistem como formas profundas de amadurecer e compreender a si mesmo — o avesso poético da pressa. 

________________________________________________

SÁBADO [25/07]

 

9h30 O amanhã já deu errado

[Daniel Alves Pereira + Vanessa Strelow]

[mediação: Irka Barrios]

O futuro deixou de ser uma promessa para se tornar uma espécie de ruína antecipada. Entre distopias que batem à porta e o peso de um presente que não passa, a literatura contemporânea de ficção e mistério assume a tarefa de tatear o escuro. Daniel Alves Pereira e Vanessa Strelow conversam com Irka Barrios sobre o colapso das utopias, o medo que habita as frestas do cotidiano e a beleza estranha de narrar o fim do mundo. Se o amanhã já deu errado, resta saber como a palavra escrita se move entre os escombros para inventar novas formas de sobrevivência.

10h30 Nódoa de dendê não sai [REVISTA ODISSEU]

[Calila de Mercês]

[mediação: Ewerton Ulisses Cardoso]

Calila das Mercês, autora indicada ao Prêmio Jabuti pela coletânea de contos Planta Oração, lança seu primeiro romance, ‘Nódoa’, uma investigação sobre aquilo que fica nas dobras do tempo espiralado através de uma ficção que acompanha a vida de mulheres diversas, unidas por laços de sangue, mas também pela marca do deslocamento. O dilema da migração, o desejo por uma vida para além da dor e a persistência em seguir em frente apesar dos pesares. 

11h30 Para lembrar o menino repetindo as tardes naquele quintal

[Manoel Cavalcante + Alex Andrade + Volnei Canônica]

[mediação: Henrique Rodrigues]

Há um quintal que toda infância guarda, mesmo quando ele já não existe mais. Nesta mesa, Manoel Cavalcante, do Rio Grande do Norte, Alex Andrade, do Rio de Janeiro, e Volnei Canônica (Instituto de Leitura Quindim), do Rio Grande do Sul, percorrem diferentes paisagens para falar de literatura infantil e da infância como território inesgotável de invenção. Três autores vindos de três Rios diferentes para mostrar que, quando a literatura é feita com verdade, toda margem vira um lugar seguro. 

12h30 Lost in translation: lá já é meia-noite e meia

[Patricia Yamasaki + Fernanda Cerávolo]

[mediação: Alice Lima]

Mudar de língua é mudar de pele e de gravidade. Nesta mesa, o Japão é o território que une Patricia Yamasaki e Fernanda Cerávolo sob perspectivas inversas. Patricia acessa o país pelos fios da ancestralidade e da memória ancestral. Já Fernanda, ex-executiva de big techs, depara-se com esse chão pelo acaso corporativo e faz do estranhamento a matéria de sua ficção. Mediadas por Alice Lima, as autoras investigam os ruídos entre o mundo corporativo e a criação, os mistérios da tradução e tudo o que se perde — ou se encontra — quando estamos longe de casa.

13h30 Elas não cabem num mapa

[Mar Becker + Jana Viscardi + Renata Belmonte + Bethânia Pires Amaro + Carina Bacelar + Paula Maria]

[mediação: Isabella Andrade]

Mulheres em Travessia reúne 18 escritoras brasileiras em uma coletânea organizada por Isabella de Andrade e María Elena Morán, publicada pela Diadorim Editora com o Elas na Escrita. Seus contos percorrem temas como memória, pertencimento, identidade e transformação, revelando a potência da escrita contemporânea de autoria feminina. Este será o lançamento oficial do livro, seguido de um debate com autoras sobre os processos de criação, os desafios da escrita coletiva e a força da literatura como um espaço real de travessia.

14h30 A palavra me dá trabalho

[Julie Fank + Bruna Dantas Lobato]

[mediação: Alice Lima]

Com doutorado em Escrita Criativa na PUCRS e pioneira na formação de autores à frente da Esc. Escola de Escrita há 12 anos em Curitiba, Julie Fank acompanhou a desmistificação de que escritores nascem prontos. Na outra ponta, Bruna Dantas Lobato traz a perspectiva dos EUA, onde oficinas existem desde o século XIX — ela fez mestrado na NYU e ensina Escrita Criativa na Grinnell College. Nesta mesa, as duas escritoras cruzam suas trajetórias para investigar o que aproxima e o que afasta o ensino e o conceito de escrita criativa a partir dessas duas lentes e territórios.

15h30 AMYR KLINK Ao vivo no Desenrola, o podcast do The Summer Hunter 

[participação: Octávio Santiago + Ricardo Moreno]

Entre travessias, riscos calculados, mudanças de rota e escolhas que exigem coragem, vamos bater um papo com o navegador sobre os desafios de ontem e de hoje. Em uma gravação ao vivo do Desenrola, ele vai refletir sobre a relação com a tecnologia, as transformações do mundo, a experiência de acompanhar a jornada da filha Tamara e o filme 100 Dias, inspirado em sua travessia solo do Atlântico Sul a remo, em 1984.

 

16h30 O poema não perdoa, a filosofia talvez [REVISTA CULT]

[Patrícia Lavelle + Paulo Henriques Britto + Nathaly Felipe]

[mediação: Giovani Kurz]

Neste debate, os convidados debruçam-se sobre as tensões entre o rigor do conceito e a vertigem do poema. Uma imersão na arquitetura implacável de Orides Fontela, onde o verso funciona como despojamento radical. Patrícia Lavelle, Paulo Henriques Britto e Nathaly Felipe, mediados por Giovani Kurz, tensionam os limites entre o fazer poético e a investigação filosófica. A mesa descortina uma escrita que rejeita o ornamento para fincar o mistério na carne da palavra — o material bruto de todo mundo que tem os pés e as mãos na literatura.

17h30 Deslize pra virar a página [THE SUMMER HUNTER]

[Ricardo Moreno + Bruna Castro]

[mediação: Octávio Santiago]

Sem saudosismo, esta mesa discute o vigor das revistas e livrarias independentes. Num mundo governado pelo toque efêmero das telas e pelo fluxo de dados, a permanência do papel aponta para uma necessidade profunda de textura. Ricardo Moreno e Bruna Castro, mediados por Octávio Santiago, investigam o que o impresso traz de insubstituível: o livro como objeto de desejo, a leitura que não te rastreia e uma curadoria com outro ritmo de atenção. Diante da dispersão digital, o debate propõe entender como o tátil se tornou a nossa última fronteira de autenticidade.

18h30 ARQUITETURA DO IMPOSSÍVEL

[Solano Benítez]

[mediação: Guilherme Zawa]

Um dos mais importantes arquitetos latino-americanos contemporâneos encerra nossa programação com uma mesa sobre as histórias que existem dentro dos espaços que construímos. Reconhecido por uma arquitetura que transforma materiais simples em experiências poéticas, Solano Benítez conversa sobre como paredes e vazios também são formas de narrativa. A mediação é de Guilherme Zawa, artista visual e curador radicado em Buenos Aires, que traz para o debate a sensibilidade do enquadramento, da luz e da memória que habitam as estruturas. Entre o tijolo e a imagem, este é um encontro profundo entre arquitetura e literatura para pensar os lugares que habitamos e aqueles que — na página ou na cidade — ainda podemos inventar.

________________________________________________

DOMINGO [25/07]

 

9h30 ESSES PERSONAGENS À PROCURA DE UMA AUTORA [REVISTA ODISSEU]

[Renata Belmonte + Bethânia Pires Amaro]

[mediação: Kaio Phelipe]

Autoras de dois dos romances mais instigantes do último ano, Bethânia Pires Amaro e Renata Belmonte contam de onde nascem seus personagens e como convivem com eles antes de apresentá-los ao mundo. Bethânia, em Ressalga, elabora uma dinâmica entre história e invenção, tomando a memória de Salvador como ponto de partida de suas figuras. Já Renata, com a prosa densa de Piscinas Russas, esculpe personagens complexos e surpreendentes, fazendo das contradições humanas a matéria-prima da ficção. Uma mesa sobre as dores e delícias de habitar com o outro na escrita.

10h30 LUZES, ABALOS E OUTROS SINAIS VITAIS 

[Leonardo Piana + Marcelo Henrique Silva]

[mediação: Samysia Almeida]

Aqui, duas perspectivas distintas investigam as pulsações da vida e da memória: o médico e escritor Marcelo Henrique Silva, vencedor do Jabuti, que transita entre a precisão clínica dos sinais vitais, encontra Leonardo Piana, que em O Sismógrafo de Andradas faz da ficção um instrumento para capturar os abalos históricos de um território, o do corpo inclusive. Sob a mediação de Samysia Almeida, os autores debatem como a palavra opera sob pressão: seja sob as luzes brancas de um hospital ou diante das fraturas invisíveis do cotidiano, revelando o que resiste quando o mundo desaba.

11h30 QUANDO O CHÃO NÃO BASTA

[Maurício Decker + Vanessa Strelow]

[mediação: Rubens Aebi]

Descolar-se do plano horizontal exige outra postura e um novo compasso. Há uma escrita que só se faz na vertical. Na altitude, longe das distrações da superfície, a caminhada exige presença absoluta e o silêncio ganha peso. Esta conversa reúne três perspectivas que desafiam a gravidade do cotidiano: o editor e cicloviajante Maurício Decker, que refez por terra o caminho rumo ao Vale das Lágrimas para resgatar a memória andina da Sociedade da Neve; a montanhista, trilheira e escritora Vanessa Strelow, que investiga o isolamento ao se embrenhar por geografias inóspitas e historicamente interditadas às mulheres; e o velejador Rubens Aebi, que assume a mediação a partir do ritmo e das correntes náuticas. Vindos de horizontes distintos, os três tiram os pés da terra firme para encontrar outras cronologias — regidas pelo esforço do corpo e pelo desejo de criar novas histórias para ler e escrever o mundo.

Vem que a gente já tá preparado para lotar o centrinho de Paraty.

Onde estamos?